Arte-educação

Memórias dos Grupos
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• Música - Musicanto | Encantacanto | Cantos da África
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• Teatro - Arteiro | Expressão de rua
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• Dança - Dança-Educação
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• Outras Expressões - Agulha & Linha e Serigrafia | Produção de texto
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Música
“Na intervenção e formação com os adolescentes e jovens, o que levamos em conta nas atividades artísticas é o processo, onde o resultado final é apenas uma parte do trabalho, tendo como ponto relevante o processo, a experiência vivida e recriada a cada momento”.

Leila Maranhão
Arte-educadora de música


Musicanto
O Musicanto faz parte da Ong, desde a sua fundação e diferente de outros grupos, suas ações foram permanentes, independentes de vínculos com projetos. Através de seu repertório, o grupo propunha mensagens voltadas à promoção da saúde sexual e reprodutiva, participação juvenil, direitos humanos, cidadania, sexualidade, entre outros. “Aprendi ensinando e ensinei aprendendo e isso possibilitou que minha profissão não fosse apenas um repasse de técnicas”, afirma Leandro Rocha, coordenador do grupo inicialmente. Ele destaca ainda que não só seu comportamento, mas os dos jovens também mudavam a cada oficina. Eles apresentavam um maior envolvimento com “causas sociais”, disciplina, cuidado e respeito consigo e com o outro, concentração, socialização e desenvolvimento da auto-estima. Atualmente o Musicando trabalha com cerca de 20 jovens, regidos pela arte-educadora Bárbara Mattiuce.

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EncantaCanto
Constituído por adolescentes e jovens da ONG e com um repertório  variado, valorizando a música popular brasileira, desde a bossa nova  até compositores atuais como Zeca Baleiro, este grupo cantou e  encantou seu público por onde passou. Regido pela professora Silvia o EncantaCanto fez parte do projeto Fazendo Arte com Camisinha em parceria com Ministério da Saúde e o Programa Nacional DST/AIDS.


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Cantos da África
O coral infantil Cantos da África, no bairro da Redinha, é estruturado pelo Canto Jovem através do Projeto Serviços Amigáveis e apoiado pela Ong britânica Save The Children, desde 2007. É um grupo formado por crianças da comunidade, na faixa etária de 10 a 14 anos e se configura como uma experiência piloto nas atividades da organização, visto que seu “público-alvo” são adolescentes e jovens de 14 a 24 anos.

Além de sensibilizar e mobilizar crianças e adolescentes para acessarem os serviços da Unidade Básica de Saúde de sua comunidade, o grupo objetiva promover o desenvolvimento das Múltiplas Inteligências e Habilidades como o despertar para falar, se posicionar, relacionar, compreender, ser crítico e também multiplicar seus conhecimentos. Dessa forma, as crianças do coral não cantam simplesmente, as ações com o grupo giram em torno de jogos de estratégias, debates, contação de histórias, pinturas, entre outras atividades vinculadas aos temas em Saúde Sexual e Reprodutiva.

Inicialmente, a Unidade Saúde da África era o ponto de encontro desses meninos e dessas meninas, hoje, apesar da relação com a UBS ainda ser bem estreita, o Canto Jovem mantém uma casa na comunidade que serve de apoio para esta e outras iniciativas.

Os resultados obtidos na vida daquelas crianças podem ser evidenciados por relatos de professores das escolas da região. A professora Érika, responsável pela turma do 5° ano da Escola Municipal Nossa Senhora dos Navegantes, afirma que, depois das atividades do coral, os alunos passaram a ter um melhor desempenho nas aulas, houve um aumento da auto-estima, maior desinibição e vontade de trabalhar em grupo.

Percebe-se, também, o envolvimento da família nas atividades. As mães estão sempre presentes, ajudando os filhos a aprender as coreografias e as letras das músicas. Por parte das crianças, o fato de sair da comunidade para apresentar em outros locais é visto como uma grande realização – elas conhecem novos lugares, ganham inspiração e estímulo. É ai que a música se configura como um exemplo “cristalino” das possibilidades de integração comunidade – família – escola, de realização pessoal e formação dessas crianças e adolescentes.


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Teatro
“Entrei no grupo por curiosidade e pelo envolvimento com as pessoas que ali estavam. Com o tempo e através dos assuntos que discutíamos no grupo, além das peças, conseguia avaliar o que era bom ou ruim pra mim. O trabalho com o teatro me completa parcialmente. Após um ano de oficina senti interesse em participar de um grupo profissional e hoje participo da Companhia de Teatro Brincarte, além de me interessar pelos bastidores do teatro. O que mais me chama a atenção é a iluminação, a qual fiz um curso para entendê-la melhor. Ainda não defini se quero o teatro como minha profissão, mas por enquanto é isso que faço e gosto”.

Maxwell Brás
Monitor de teatro.


Arteiro
O grupo Arteiro de teatro é um dos grupos mais antigos do Canto Jovem e tem em seu histórico mais de 200 apresentações em escolas, praças, seminários e outros espaços. O grupo tem uma característica Elisabetana de mostrar em seus espetáculos temas como Paz, Direitos Humanos, vulnerabilidade e prevenção às DST’s. O Arteiro, em seu tempo de vida, produziu grandes espetáculos – “Morte e Vida Severina” e “O pacto”, que ganharam vários prêmios em festivais de teatro de nossa cidade.


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Expressões de Rua
O grupo de teatro Expressões de Rua se caracteriza por trabalhos cômicos e sua marca é fazer espetáculos na rua que visam trabalhar temáticas que giram em torno da prevenção às DST’s, da negociação ao uso da camisinha, da exploração sexual infanto-juvenil, entre outras. Montagens como “O Auto da Camisinha”, “Um Dia de Príncipe” e “Apeleja de Mariazinha das Vitórias Contra o Padastro Malencarado” fizeram a historia do grupo. Atualmente, o Expressões de Rua está fazendo uma montagem sobre violência contra as mulheres.


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Dança
“Hoje eu sou uma pessoa diferente. Antes de conhecer o Canto Jovem não imaginava que podia contribuir com as mudanças na minha escola e comunidade. Com certeza sou me tornei uma pessoa melhor”.

Paula Frassinete
Grupo de dança-educação

“Hoje em dia as pessoas me param e perguntam: você está indo dá aula? Sinto meu esforço reconhecido”.

Nilvânia Alves
Monitora de dança.


Dança-Educação
As oficinas de dança nos apresentam a capacidade integradora das potencialidades motoras, afetivas e cognitivas, no momento em que desenvolve nos jovens a compreensão de sua capacidade de movimento, através de um maior entendimento de como seu corpo funciona. Nos depoimentos eles/elas falam que depois das oficinas passaram a se cuidar com maior responsabilidade. As falas são recorrentes, principalmente no que se refere às oficinas de dança atreladas às oficinas de sexualidade e prevenção as DST/AIDS. Elas acontecem em paralelo, ou mesmo, a oficina temática dentro da oficina artística, aliando o prazer propiciado pela arte junto à informação, gerando, ao fim, uma formação “global” do jovem.

Segundo Nilvânia, “ex-aluna” e hoje monitora de dança, através desta expressão artística, os jovens do grupo dança-educação puderam expressar-se tanto individual quanto coletivamente, exercitando a atenção, a percepção, a colaboração e a solidariedade, aliadas à espontaneidade.

Quando questionada sobre qual tinha sido a contribuição da oficina de dança em sua vida, ela acrescentou que para além das técnicas em dança apreendidas na oficina, surgiu o interesse em aprimorá-las ou ainda em profissionalizar-se na área, despertando-a a fazer o teste para o grupo PARAFOLCLÓRICO grupo de dança popular da UFRN. Nilvânia afirma ainda que sentimentos como responsabilidade e autonomia passaram a fazer parte do seu cotidiano, assim como, um maior respeito de sua família por ela, no momento em que eles passaram a vê-la como “adulta”.


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Outras Expressões
Agulha & Linha e Serigrafia
As oficinas de serigrafia e agulha&linha possibilitariam aos jovens sua inserção no mercado de trabalho, embora esta não fosse uma garantia. Elas tinham a intenção de trazer novas técnicas, além da possibilidade dos jovens terem um retorno econômico com os produtos criados. Entretanto, é necessário ressaltar o caráter dual deste grupo, enquanto “artístico” e “profissionalizante”.


Produção de texto
Embora sem cunho artístico, não podemos deixar de citar a oficina de produção de texto, fundamental para a formação de cidadãos e para o desenvolvimento da capacidade de expressar-se. A produção de textos, bem como o estímulo à leitura (romances, lendas, literatura de cordel) numa sociedade marcada pela oralidade e pelos meios visuais de comunicação, foi um trabalho instigante. A oficina teve duração de aproximadamente um ano e tinha o objetivo de auxiliar os adolescentes e jovens no apoio à fala e a escrita, como também o acesso às obras literárias.


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